segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Importância da Reunião do G20

A Importância da Reunião do G20*
Vinícius Gregory, Carlos Felipe Monteiro e Profª. Gloria Moraes


A última reunião do G-20, realizada no início de abril, em Londres, teve uma grande importância devido à crise global. Integram o G20 os países que agregam a maior parte da população e da economia global, logo, era objetivo primeiro delimitar e encontrar soluções para a atual crise financeira e ajustar salvaguardas de forma a proteger ao máximo a economia real, resguardando, quando possível e ao máximo, os níveis de produção e do emprego. Segundo o primeiro ministro britânico a reunião poderia ter a importância de Bretton Woods, que foi responsável por três décadas consecutivas de desenvolvimento capitalista. Entretanto, para outros, não havia a menor possibilidade de sair desse encontro algo aproximado que fosse de Bretton Woods, quando o sistema redefiniu um novo padrão monetário, criou instituições e apostou nos EUA como um possível hegemon.
Para a maioria dos analistas, o encontro deveria ter um fim parecido com outro, ocorrido também em Londres, no qual os EUA e os paises europeus não conseguiram entrar em um consenso para a adoção de medidas que minorassem e pusessem um freio à Grande Depressão. Roosevelt já se encontrava na Presidência dos EUA e não aceitou os compromissos sobre o câmbio e sobre as taxas de juros propostos pelos europeus, pois iriam atrapalhar as medidas de emergência que vinha adotando para reativar a economia norte-americana. O problema da atual reunião é que há grandes divergências entre os três principais pólos econômicos: os EUA, a União Européia e a China. Além disso, não há também consenso dentro dos próprios governos e a União Européia, mais uma vez, mostrou e explicitou suas divergências.
Para um segmento de Washington, o setor financeiro privado é uma prioridade, por isso a resistência de estatizar grandes bancos falidos, em outro, não se vê muitas alternativas. O pacote financeiro foi lançado com o objetivo de o governo financiar a compra de títulos podres e restabelecer a confiança interbancária, e por isto está disposto a aceitar os riscos de um aumento inflacionário para não interferir na liberdade dos investidores. Outros segmentos, por sua vez, desejam que haja maior regulamentação dos mercados financierizados. Na Inglaterra, por sua vez, a resistência as estatizações é menor e, igualmente, estão dispostos a assumir pacotes trilionários, mas em relação à regulamentação internacional do sistema financeiro, idéias apoiadas também pelo Japão, há divergências.
Para outros paises europeus, o setor financeiro privado é um mal necessário e novos pacotes trilionários estão fora de questão, pois a estabilidade do Euro e as metas de inflação são prioridade. A China, por sua vez pensa em medidas alternativas ao dólar, a longo prazo, sugerindo a criação de uma nova moeda de reserva internacional, sendo apoiada por países dos denominados, antigamente, de “segundo” e “terceiro mundo”, pois para as atuais potências emergentes a prioridade é o crescimento econômico e o nível de renda e de emprego que importam. Para o Brasil que também não desregulamentou todo o mercado fincnaiero e tem um banco central mais rígido, apoiar os países europeus, principalmente a França e a Alemanha foi essencial para o seu projeto de “potência intermediária”. Já a Índia teve participação discreta, mas com certo alinhamento com os EUA e com a Inglaterra.
Apesar das boas intenções e vontade de cooperação, fato é que os resultados não foram o esperado, ou melhor, um bom analista diria que foram os possíveis. O novo presidente dos EUA, Barack Obama, não conseguiu o compromisso dos demais países de aportarem recursos e medidas de estímulo equivalentes a 2% do PIB. Igualmente, porque não era interesse, ninguém, e muito menos a China, promoveu um debate sério sobre a criação de uma nova moeda. No total, os governos se comprometeram com aportarem 1,1 trilhão de dólares e o FMI deve dispor de mais 500 bilhões de dólares em linhas de crédito. Finalmente, foi anunciado também um início de regulamentação financeira internacional, mas que, como era esperado, não tem parâmetros definidos.
Analisando o encontro do G20 em Londres pudemos observar que o principal ganho para a governança global foi consolidar e institucionalizar o Grupo como o foro central de coordenação e deliberação sobre temas econômicos e financeiros. E a principal vitória política para os países emergentes, dentre os quais está o Brasil, foi a de participar em pé de igualdade com os países desenvolvidos. Tomar decisões em um grupo maior, com mais heterogeneidade e atualizado com a nova divisão do poder mundial e não em um grupo excludente, como é o G8, foi sem dúvida bastante positivo. Igualmente favorável foi a decisão acerca do fortalecimento financeiro do FMI, à medida que significa mais crédito disponível para ajudar as economias com problemas, mas antes de tudo poruqe também no Fundo há um novo rearranjo de poder, mesmo que não seja aparente. O anúncio com prazo para reforma da estrutura de voz e voto do FMI, como defendido pelo Brasil, mostra que a instituição terá que abrir suas decisões a novos interesses.


* Baseado em matéria da revista Carta Capital de 07 de abril de 2009 – Gambiarra Global.

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